PROGRAMAS DE
CONSERVAÇÃO

Conservação

A vida das pessoas e dos animais selvagens vem mudando todos os anos.

Porém, muitos impactos são consequência desse desenvolvimento, como o desmatamento e a fragmentação dos habitats naturais, as mudanças climáticas, o aumento no índice de atropelamentos de animais, o tráfico e vários outros. Alguns especialistas já afirmam que estamos vivendo a sexta extinção de espécies, causada pelas atividades humanas.

Por isso, ações de proteção da biodiversidade são mais do que urgentes.

Os Zoológicos têm a conservação como um de seus pilares, trabalhando em cooperação com diversas outras instituições do mundo para garantir a sobrevivência e diminuição do risco de extinção da fauna. Por exemplo, a atual Lista Brasileira de Espécies Ameaçadas, lançada em 2014, contém 1.173 espécies em risco. Na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), constam mais de 30 mil espécies em alguma categoria de ameaça de extinção no mundo. É nosso compromisso trabalhar para proteger todas estas e evitar que outras mais se tornem ameaçadas.

Primeiro, é importante que você entenda que o Zoo faz efetivamente conservação.

Apesar de muitas vezes a palavra preservação ser usada como um sinônimo, isso não está correto. Preservar significa restringir o uso do recurso, como por exemplo, uma floresta. Neste caso, não é permitida realizar nenhuma intervenção e o ambiente permanece intocado. Já conservar, refere-se a manejar este recurso de forma racional com o propósito de garantir sua sustentabilidade e ser harmonioso com a vida humana. Na atualidade a conservação é uma das melhores ferramentas para administrar os recursos naturais, garantindo a estabilidade dos ecossistemas, e no caso da fauna, a estabilidade das populações. Pois, a população de uma espécie para se manter viável, deve possuir além de uma quantidade mínima de indivíduos, uma boa qualidade genética. Por exemplo, mesmo grandes parques para proteção de animais, precisam periodicamente inserir novos indivíduos e translocar outros para manter o fluxo gênico, ou seja, essa variabilidade genética, com o objetivo de restaurar os processos ecológicos e recriar ecossistemas funcionais. Esses manejos fazem parte dos programas de conservação. Queremos salvar as espécies em seu ambiente natural!

Mas, qual é o papel do Zoológico na conservação?

A resposta não é nada simples, mas tenha certeza de que a contribuição dos Zoos é fundamental e feita de várias formas. Hoje, trabalhamos com o conceito de Conservação Integrada, ou seja, uma estratégia que une esforços entre os que realizam conservação ex situ (fora do habitat natural) aos envolvidos com a conservação in situ (no habitat natural), bem como órgãos governamentais e outras instituições com foco em conservação. Afinal, o objetivo de todos é o mesmo: proteger a biodiversidade do planeta e evitar a extinção de espécies. Sendo assim, além de realizar o trabalho ex situ, o Zoológico contribui e muito, auxiliando de forma financeira com ações in situ, seja no financiamento de pesquisas e monitoramento, seja na doação de materiais de campo e também com a expertise técnica dos biólogos, veterinários e zootecnistas que atuam diariamente no manejo dos animais.

A contribuição dos Zoológicos para a conservação das espécies vai muito além de abrigar os animais.

Sim, manter uma população da espécie nos Zoos é parte importante desse processo, pois estes exemplares compõem a nossa reserva, ou seja, a garantia de que existirá uma população de segurança para o manejo de longo prazo. Mas, esta manutenção envolve muitos fatores, como garantir populações demograficamente robustas, animais comportalmente competentes e geneticamente representativos das populações selvagens, ou seja, a variabilidade genética do grupo. Por isso, periodicamente são feitas mudanças nesta população, como troca de casais e acréscimo de novos indivíduos, para mantê-la saudável. Caso contrário, estes indivíduos ficam mais vulneráveis e não poderão contribuir com o restabelecimento da população original no ambiente natural. Vale ressaltar que as decisões de formação de casais e necessidade de reprodução ou não, são recomendadas pela Coordenação do Programa, que pode ser nacional, regional ou mundial. Ou seja, não é o Zoo que escolhe reproduzir ou não uma espécie, nós mantemos os animais e seguimos as diretrizes da coordenação, que conhece toda a população da espécie e sabe definir qual a necessidade naquele momento. Ressaltando, é um trabalho de muita cooperação. Se houver necessidade, alguns desses animais serão enviados para o habitat natural. Isto pode ser feito através de uma reintrodução, quando inserimos estes animais em uma área de ocorrência histórica da espécie, na qual ela atualmente não existe mais. Ou também através de um revigoramento populacional, onde inserimos estes indivíduos em uma população natural já existente para aumentar seu tamanho e variabilidade genética.

Além do manejo populacional, a conservação dos Zoológicos inclui o trabalho de pesquisa e educação.

Restabelecer a população de uma espécie ameaçada não é o suficiente, se a causa de sua ameaça continuar existindo. O trabalho de Educação Ambiental deve ser contínuo e paralelo à todas as outras atividades de um programa de conservação, sensibilizando a população sobre a importância daquela espécie e motivando para que tenham atitudes sustentáveis, assim conseguiremos minimizar os fatores de ameaça para a espécie. Se não, de nada adiantará reintegrar os animais ao seu ambiente natural e eles continuarem sendo extintos pela mesma causa. A pesquisa também é parte fundamental desse processo, aumentando nosso conhecimento sobre os requerimentos da espécie, sejam nutricionais, médicos ou comportamentais, auxiliando no estabelecimento de novas estratégias para a conservação e bem-estar desses animais.

O Zoo Pomerode participa de programas nacionais e internacionais de conservação.

Atuando tanto na proteção da fauna brasileira, quanto mundial. Atualmente somos integrantes do Comitê Internacional de Conservação e Manejo dos Micos-leões, abrigando micos-leões-dourados, micos-leões-de-cara-dourada e micos-leões-pretos. Este Comitê foi o responsável por salvar os micos-leões-dourados da extinção iminente, aumentando uma população com menos de 200 indivíduos para mais de 3.700 animais vivendo de novo em seu habitat natural, com grande participação dos Zoológicos em enviar animais para introdução. Também participamos do EEP (Programa Europeu de Espécies Ameaçadas) para o leão-angolano e o sagui-imperador, programa que através de manejo cooperativo a nível internacional busca melhorar o status de conservação destas espécies. Aliás, somos o único Zoológico fora do continente europeu credenciado no EEP do leão-angolano, um fato que nos enche de orgulho e evidencia a preocupação e capacidade do Zoológico em trabalhar para salvar uma espécie da extinção. O Zoo também integra os Programas de Manejo ex situ de Espécies Ameaçadas, um trabalho de cooperação técnica para proteção de 25 espécies da fauna brasileira assinado pela AZAB (Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil), o ICMBio (Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade) e MMA (Ministério do Meio Ambiente). Além de já manter nove, dentre as 25 espécies, para colaborar com sua conservação, o Zoo é atualmente o Coordenador do Programa do macaco-aranha-de-testa-branca, através de um Studbook. Studbook é o registro genealógico de todos os indivíduos integrantes da população a ser manejada, onde constam todos os nascimentos, óbitos, relações genéticas e outros dados biológicos que fornecem valiosas informações para entender a população e tomar decisões sobre seu manejo, visando estabelecer e manter uma população de segurança viável a longo prazo, do ponto de vista genético e demográfico, fator essencial para evitar a extinção de uma espécie.

A cooperação de todos é fundamental para o sucesso dos programas de conservação. 

Quanto todos trabalham integrados, incluindo os componentes ex situ e in situ, os esforços são ampliados e as espécies ameaçadas tem maiores chances de sair da Lista Vermelha. Este trabalho é complexo, intenso e contínuo, pois exige muito planejamento, recursos financeiros e pessoais para implementação e monitoramento, além da avaliação do processo para fortalecer sua execução. E todas as pessoas podem auxiliar na conservação, apoiando e engajando-se em ações das instituições que desenvolvem trabalhos para a proteção da biodiversidade, como os Zoológicos.