Os Animais

Bicho do mês de Outubro de 2017

TIGRE-D'ÁGUA

Trachemys dorbignyi

O tigre-dágua é uma espécie de cágado que habita riachos, rios, lagos, banhados e pântanos. Vive no Uruguai, na Argentina e no Brasil ocorre apenas no Rio Grande do Sul. Preferem viver em regiões com vegetação aquática abundante, que lhe servem de alimento. Além disso, consomem também frutas, peixes e pequenos crustáceos.

São quelônios pequenos, que mesmo quando adultos atingem entre 20 e 30 cm e pesam aproximadamente 2,5 kg. Quando jovens apresentam listras amarelas e alaranjadas sobre fundo verde na carapaça, mas perdem a intensidade dessas cores conforme seu crescimento. Os machos adultos possuem coloração marrom escuro, enquanto as fêmeas não escurecem tanto assim, mantendo praticamente o mesmo tom de verde. Na cabeça permanecem as listras verdes e amarelas. Estes cágados vivem mais de 30 anos.

Apresentam atividade diurna, sendo comumente avistados “tomando banho de sol” nas margens dos corpos d’água durante os períodos mais quentes do dia. Em algumas situações é confundido com o tigre-d’água-de-orelhas-vermelhas (Trachemys scripta elegans), uma espécie norte-americana que tornou-se uma invasora, provavelmente por abandono dos donos. Mas, esta espécie possui uma faixa vermelha atrás dos olhos, por isso é facíl diferenciá-la da espécie brasileira.

Quanto à reprodução, os machos estão aptos com cerca de 9 anos e as fêmeas com 10 ou 12 anos de idade. É possível reconhecer, após adultos, machos e fêmeas através da forma da parte inferior da carapaça, conhecida como plastrão. As fêmeas possuem um plastrão ligeiramente convexo para proporcionar mais espaço para os ovos. Enquanto os machos possuem um plastrão mais côncavo, facilitando a cópula.

As fêmeas realizam posturas entre setembro e fevereiro, com uma média de 12 à 18 ovos por ninho. Após o período de incubação, aproximadamente 110 dias, os filhotes nascem pesando cerca de 11 gramas e com 3,5 cm de carapaça. O sexo dos filhotes é determinado pela temperatura da areia durante a incubação, se forem temperaturas mais baixas aumentará o número de fêmeas.

Por falar em reprodução, a coleta dos ovos e filhotes e a redução das áreas de nidificação são dois importantes problemas de ameaça à espécie, que no Brasil é classificada como Quase Ameaçada. Os ovos e filhotes são capturados para o comércio ilegal, sendo vendidos inclusive em pet shops. Somente entre 1995 e 2003, os Zoológicos e Núcleos de Fauna do IBAMA receberam 1.297 indivíduos oriundos desta prática.

Em relação as áreas de nidificação, a causa da redução são as atividades agrícolas, especialmente o cultivo de arroz desenvolvido em todas as áreas de margens de rios e lagos, afetando as principais áreas de desova da espécie. Além da perda de área, o uso de agrotóxicos nestes cultivos também torna-se uma ameaça aos animais. E ao deslocarem-se em busca de novas áreas para nidificação muitas fêmeas são atropeladas, aliás Trachemys dorbignyi é a segunda espécie de réptil mais afetada por atropelamento no Rio Grande do Sul. Isto impacta diretamente na população da espécie, afinal perdem-se as matrizes e o nascimento de novos filhotes fica prejudicado. 

Confira os outros meses:

» Outubro de 2017 - TIGRE-D'ÁGUA

» Setembro de 2017 - PUMA

» Agosto de 2017 - CONDOR-ANDINO

» Julho de 2017 - JABOTI-PIRANGA

» Junho de 2017 - FURÃO

» Maio de 2017 - TIÉ-SANGUE

» Abril de 2017 - PÍTON

» Março de 2017 - LOBO-GUARÁ

» Fevereiro de 2017 - URUBU-REI

» Janeiro de 2017 - URUBU-REI

» Dezembro de 2016 - MARRECA-IRERÊ

» Novembro de 2016 - BABUÍNO-VERDE